Elétricos

Operadora vietnamita de táxis elétricos leva frota VinFast à Dinamarca

A Green SM, empresa de mobilidade urbana do Vietnã especializada em transporte por aplicativo com veículos 100% elétricos, iniciou suas operações na Europa. A cidade escolhida para essa estreia foi Copenhague, na Dinamarca, onde a companhia passou a rodar com uma frota própria — não terceirizada a motoristas parceiros — composta por modelos elétricos da VinFast, montadora também vietnamita e ligada ao mesmo grupo empresarial. O movimento chama atenção porque conecta duas frentes que vêm ganhando força simultaneamente no mercado global: a eletrificação do transporte urbano e a expansão internacional de marcas asiáticas que até pouco tempo eram pouco conhecidas fora de seus países de origem. A VinFast, em particular, tem investido pesado para se firmar como alternativa às gigantes tradicionais e às concorrentes chinesas, e ver seus carros circulando como táxis em uma capital europeia funciona como vitrine prática de durabilidade e desempenho — uma estratégia parecida com a que a BYD adotou em diversos mercados, incluindo o Brasil, ao apostar em frotas de aplicativo para testar seus elétricos em uso intensivo antes de conquistar o consumidor final. Para o leitor brasileiro, o caso é relevante porque ilustra um caminho que também começa a se desenhar por aqui: frotas elétricas dedicadas a serviços de transporte por aplicativo e táxi, ainda tímidas em número, mas crescentes em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, muitas vezes puxadas por incentivos fiscais e pela necessidade de reduzir custos operacionais com combustível e manutenção. Copenhague, aliás, não é uma escolha aleatória: a capital dinamarquesa é uma das cidades europeias mais avançadas em infraestrutura de recarga e em políticas de incentivo a veículos limpos, o que a torna um ambiente relativamente seguro para esse tipo de teste de mercado antes de uma expansão mais ampla pelo continente. A leitura editorial aqui vai além do simples anúncio de uma nova operação de táxis. Ao optar por uma frota própria em vez de depender de motoristas autônomos, a Green SM sinaliza um controle mais rígido sobre a experiência do usuário, a manutenção dos veículos e a padronização do serviço — um modelo que lembra iniciativas de mobilidade corporativa vistas em outras partes do mundo, incluindo testes com frotas dedicadas no Brasil. Essa estratégia também reduz a dependência de terceiros para validar a tecnologia VinFast em solo europeu, funcionando como um laboratório de reputação: se os carros performarem bem em uma cidade exigente como Copenhague, a marca ganha um argumento de peso para negociar sua entrada em outros mercados, inclusive o latino-americano, onde monta-se paulatinamente presença através de acordos e viabilidade de importação. Para o consumidor brasileiro atento ao setor, o episódio reforça uma tendência que tende a se acelerar: montadoras asiáticas emergentes usando frotas de transporte público ou por aplicativo como porta de entrada, driblando a resistência natural do público a marcas ainda pouco conhecidas. É um caminho mais barato e menos arriscado do que apostar tudo em vendas diretas ao consumidor final logo de início, e pode ser um indicativo do que a VinFast — que já demonstrou interesse em expandir operações fora da Ásia — pode tentar replicar em outras praças, inclusive na América Latina, caso o modelo europeu se mostre bem-sucedido. Resta acompanhar se a experiência em solo dinamarquês vai se traduzir em números de vendas consistentes ou se permanecerá restrita a esse nicho de frotas corporativas, mas o simples fato de uma operadora vietnamita levar veículos elétricos próprios para rodar como táxi em uma capital europeia já é, por si só, um sinal de que a corrida pela eletrificação do transporte urbano está longe de ser protagonizada apenas pelos nomes tradicionais do setor automotivo ocidental.

há 11h